mardi, mars 23, 2010
Asas de cigarra
vendredi, mars 12, 2010
É preciso?
Sabe quando a gente sente a necessidade de se mostrar seguro de si frente às crianças, quando elas nos perguntam algum por quê? Não me excluo disso, várias vezes me peguei respondendo coisas absurdas ao meu irmão mais novo, desde que ele começou a falar... e até mesmo agora, que ele tem oito anos. Pode-se agir de forma infantil de dois jeitos ao menos: de forma sincera, por de fato ser criança e ter uma curiosidade que pode soar como descabida, ou de forma tola. Sim, há a analogia de que cientistas são eternas crianças, que sempre perguntam (à natureza, não a si mesmos) o porquê de tudo, mesmo quando o senso comum patenteia uma certa obviedade. Aliás, geralmente patenteia-se obviedade sobre o que é tão simples que não dá pra explicar. Claro, muitas vezes essa simplicidade esconde uma complexidade tal que não pode ser entendida. Ora, mas as crianças não entenderiam se fôssemos lhes explicar a verdade... em parte porque só sabemos explicar as verdades entendidas numa linguagem que elas ainda não aprenderam. O interessante também é ver como elas criam realidades as mais surreais e vivem muito livres de contradição ali dentro. Quer dizer que, faz de conta... Talvez a gente deixe de ser criança quando aprende direitinho o faz de conta coletivo. Fazemos toda uma natureza de contas. Mas que essa crítica não seja pesada. Ou melhor, pesada de qualquer forma, em qualquer campo gravitacional. Não estou questionando nem de longe que as coisas existem unicamente da forma como existem. A crítica cai em cima do que somos da forma que somos. O problema (ou a graça) não está no que é natural, mas na forma como entendemos (e somos) esse natural. As certezas formam-se involuntariamente, é preciso reconhecer ordem, é inevitável reconhecer o que se tornou familiar. Mas é ainda conveniente que se reconheça a possibilidade de novas ordens. Porque sempre fica o que não se entende, mesmo quando se explica. Às vezes a gente parece olhar pro espelho e responder àquela criança que ficou que é tudo muito simples, não havendo motivo pra alarde. É uma crise infantil, vai passar assim que a gravata estiver dada ao nó.
Bom, isso escrevi depois de ler esse trecho em especial:
“Portanto, é bom procurar o sentido e os fatos que ficam por detrás das palavras. Ao voltar às definições, o matemático procura assenhorear-se das reais relações de elementos matemáticos que estão por detrás dos termos técnicos, assim como o físico procura confirmações experimentais para seus termos técnicos e o homem comum, com algum bom senso, procura chegar aos fatos reais e não ser iludido por meras palavras.” (trecho de A Arte de Resolver Problemas, Polya)
Sim, reconheço a intenção do que está sendo dito, linguagem cria alguns labirintos espelhados mesmo. Não vou exagerar e ver nisso a afirmação de que a verdade a ser alcançada é única, singular. Mas as entrelinhas disso dizem que a qualidade lingüística da matemática é puramente heurística. Creio que verdade seja sempre o que se busca e que matemática seja essencialmente uma linguagem, com seus signos, símbolos convencionados, intérpretes... criadores. Linguagem artificial, claro. Objetiva, pelo que lhe objetivam. “Navegar é preciso; viver, não”.
lundi, mars 08, 2010
Fictício
jeudi, février 25, 2010
Ecos
mercredi, février 24, 2010
Bom, o meu é capricórnio...
samedi, février 20, 2010
Aresta redonda
mercredi, janvier 27, 2010
chamo de ddp?
vendredi, novembre 20, 2009
vendredi, septembre 04, 2009
Assumir a própria respiração: buscar tão-somente a Liberdade. Equilibrar-se no Possível, pelo que cria a possibilidade... nada mais que a essência. Deixar que as transitoriedades passem em e por todos os sentidos, sem lhes perguntar que ordem perene e imutável há por trás de - mas observando a própria optica e, dentro dela, sentir cada nuance correndo nas próprias veias. Vestir-se com tecidos transbordados... e despir-se ao avesso: escrever. Preencher o vazio, voltar pra dentro: abstrair-se.
Escrever dói. Mais pelo não conseguir traduzir-se que pelo saber viver-se. A angústia de não conseguir ser mais clara do que a página que fica sempre em branco, não importando o que se nela escreva, mesmo que nela eu esteja toda escrita. E por mais que se entregue: há sempre o espaço-tempo em branco, em potencial, à espera de que mais e mais seja dito, vivido.... quaisquer que sejam os pulmões que escrevam e parem de respirar-se: perecível. Somente a Possibilidade é perene, e sua ordem, um eterno processo... construir, desconstruir; inspirar, expirar; absorver, transbordar; escrever, apagar... como o que respira, percebe:
Linguagem é espelho.
samedi, août 29, 2009
Prefácio
[Partes do Prefácio de Milton Vargas]
A Lógica, assim como grande parte dos fundamentos de nossa cultura, foi-nos legada pelos gregos. Entretanto, êsse legado não foi, por nós, preservado intato e intocado; pelo contrário, êle foi utilizado até quase o desgaste completo, depois reformado, engrandecido e reinvestido nesse grande empreendimento que vem sendo a civilização ocidental.
Creio que se poderia sustentar que a Lógica grega é irmã gêmea da Metafísica, e que ambas tiveram origem espúria no poema de Parmênides - para serem, sòmente mais tarde, adotadas e distinguidas por nomes diferentes, na obra aristotélica. Como os gregos tinham fé inabalável na existência e na realidade concreta do mundo em que viviam, achavam eles que, por trás das fugases aparências fenomênicas do mundo sensível, havia uma "substância" perene e imutável que garantia essa sua fé. Isto teria sido revelado a Parmênides pela própria deusa da sabedoria, a qual lhe fêz ver que - o que é, é; nada pode ser e não ser ao mesmo tempo; e, não há outra possibilidade senão ser ou não ser. A deusa revela-lhe, ainda, a identidade entre a coisa que é, e a que é pensada. Estavam estabelecidas as três leis fundamentais da lógica simultâneamente com a assimilação entre o pensar e o ser. Daí por diante, os gregos puderam sustentar que há uma ordem perene do pensamento pela qual pode-se chegar a inteligir as coisas como "entes" - certos, verdadeiros e perenes - é a ordem do "logos", a origem da lógica, baseada no pensamento, e diferente da opinião baseada nas aparências fenomênicas perecíveis e transitórias, com que nos defrontamos quotidianamente no mundo, atravéz dos nossos sentidos.
Portanto, o segrêdo que Parmênides diz, no seu poema, lhe ter sido revelado, seria simplesmente o seguinte: há uma possibilidade de pensar as coisas de uma forma certa e perene - isto é, pensando-as como "entes", os quais obedecem às leis que hoje sabemos serem as leis da lógica.
Quando Aristóteles estabelece que o que existe é a substância, e que a substância é essencialmente aquilo que é sujeito de uma proposição, mantém a unidade lógica - ontologia acima mencionada. Assim, se digo que A é B, A, o sujeito da proposição, é uma substância que existe certa e perenemente, enquanto o for também B. A lógica aristotélica é, portanto, uma lógica concreta - diz respeito a entes existentes num mundo real e veraz, onde se tem fé absoluta de que realmente A é A e que B é a essência da substância A. B é o que se diz da substância A, o seu predicado – aquilo absolutamente necessário para que a substância permaneça sendo o que é. Era, enfim, a lógica grega um “instrumento” (organon) para a compreensão de um mundo real e verdadeiro.
Entretanto, com o advento do Cristianismo, a crença pagã de um mundo certo e perene veio a ser substituída por uma crença em Deus, fonte de toda verdade e eternidade, e criador do mundo. Durante toda a Idade Média prevaleceu, portanto, a fé em Deus e nas suas revelações, as quais constituíam dogmas. Êsses dogmas seriam como que “proposições primeiras” de cuja verdade não seria possível duvidar. A partir das “proposições primeiras”, a lógica atuaria no sentido de deduzir das verdades reveladas as suas conseqüências, comprovando-as, pela adequação dessas com as coisas. Portanto, a lógica passou, nessa época, a ser uma “arte do raciocínio”, distanciando-se da sua origem ontológica. A existência de Deus era a garantia da adequação entre o que se raciocinava e o que ocorria na realidade.
Com o advento da Idade Moderna o mundo tornou-se dúvida, e Deus afastou-se da cena deixando de atuar como garantia da veracidade das “proposições primeiras”, ou como adequação entre as coisas e o pensamento. Assim a Lógica, aos poucos, perdeu sua concreticidade e passou a simplesmente regulamentar o simples encadeamento do raciocínio.
No fim do século passado, a análise lógica das sentenças, aproximando-se das matemáticas, foi sendo substituída por um “cálculo-de-proposições”, mais amplo que o anterior e que completou a sua formalização. Por outro lado, o desenvolvimento das matemáticas exigiu uma análise lógica dos seus princípios, no sentido de depurá-los de toda falsidade ou redundância. Isto deu lugar ao que se chama hoje de Lógica Simbólica ou Matemática. [...]
A Lógica Simbólica é, desde então, um corpo de doutrina ou uma ciência, pela qual são estabelecidas as leis formais que regem o encadeamento correto dos raciocícios, desde suas proposições primeiras até as conclusões. Não há, na lógica de hoje, a exigência de verdade ontológica como havia na grega, mas, só a da correção das operações lógicas, isto é, da validade dos argumentos. O problema da verdade das proposições primeiras não mais afeta a Lógica.
