mardi, mai 29, 2012
Para ler com certa pausa
... vê? os olhos e ouvidos são pra fora. os órgãos vitais, dentro (o coração entre parênteses). E o que percebe? neuroraízes fincadas num solo por entre se vive. Olha como meu peito bate forte.. .
e o que podemos reproduzir é o mesmo. algo assim com dentro e fora encaixa
perfeitamente os espíritos que vêm pra vagar procurando encaixar as coisas em si.
mulheres de dentro esperando algo novo todo mês ou homens de fora.. bom, meu homem de fora especificamente espera pagar as contas todo mês, o amor da pessoa amada toda semana e a paz nos dai hoje.
Sim, talvez nosso corpo uma metáfora. E nossas formas encerrem o egoísmo que tateamos. E quando a gente se liberte, Luz disforme e geodésica. A Luz não tem livre-arbítrio mas talvez seja a própria liberdade.
[lembro o indicador suspenso de meu avô: dois ouvidos e uma boca. dois ou três olhos, bem observado também. e pela boca sai silêncio e contradição e perturbações microscópicas na poeira de em volta. Devo ter saído cantarolando se não naquele momento, agora. ('eu só vou falar na hora de falar, então eu escuto', mas nunca cantei isso com olhos tão fechados como agora. Minto. Nunca cantei isso com um sorriso tão justo)]
Não importa, corpos andam o mais geralmente em círculos num planeta esférico. Que orbita o que anda comóvel pra um nada isotrópico num universo cuja geometria supomos. E só.
"Todas as formas são metáforas". Diga-se lentamente, pra que o plural não se
misture à essência. (quanto numa mesma palavra, quantas num mesmo sentido..)
mardi, mars 06, 2012
Reflexões (ou neuroses) sobre o Espelho
- Espelho não morre
A vida que ele tem não é a que a gente reflete
A luz permanece suspensa
perdida, entretudo
Mas a gente, morre por espelhar o que tem ciclo.
-
***
O Espelho é aquilo que a gente não vê!
(por que a imagem no espelho plano é simétrica?)
Percebe? A luz volta da forma, no ângulo, que foi..
Quando um objeto consegue mudar o ângulo com que a luz lhe bate, a gente consegue ver.
Quando não, ele apenas nos reflete.. e a gente não o vê!
Mas a visão que a gente tem daquilo é a visão do espelho, a forma como ele nos vê..
e os nossos olhos.......... concavidade comida pelo convexo.
- Isso é simétrico.
A simetria se quebra quando a gente não se vê, vendo apenas o objeto.
samedi, février 25, 2012
ciranda de maluco
En passant
sempre firme a cada queda e conduzindo os olhos que se entreabrem pra onde tenha luz.
Pra mim, deus talvez inda seja meio fio, entre sins e nãos que buscam equilíbrio.
a vida disperta segue vislumbrante...
Quando a consciência se vir no espelho, deus certamente será o solo de até onde a vista não se firme.
e então, plena, a consciência se vê corda bamba, meio fio, solo e abisma.
caindo em si, se vê espelho e espaço.
vazia, enche tudo.
paira.
deusa, se vê luz.
mardi, novembre 22, 2011
Não-holonômico
Há de vir entre vírgulas, sutil, e literalmente colorido
Com as mais lindas palavras
Há de me falar sobre estrelas e ramalhetes delas
De olhos fechados
Há de vir entre nuvens e aos soluços
De peito aberto e pelo avesso
Não vai saber aonde ir ou de onde vir
Mas saberá ficar em silêncio
Há de amar a todos os meus já amores
Com a pureza de um Sol
A cada um trará um suspiro
E todos eles virarão rios, cada qual a seu leito
Eu hei de me banhar em todos num mesmo ato
E a todos virar um marvsem fim
A cada fronteira viraremos margens, plantas, pedras
A cada deserto viraremos areias e ventos
Preencheremos tudo, a cada vazio
Nossa luz há de respirar a tudo, um dia
Comerá o dia e trará a noite dentro dos olhos, nossa luz
E o próprio tempo virá conosco
Ver quem corre mais rápido até o muro
Nos perder uns dos outros
Não saberemos mais o quanto somos
Ficaremos quietos, indistingüíveis
De olhos abertos,
ou mesmo sem olhos nítidos
Nossas estrelas, daremos ao acaso
Ramalhetes deles seremos
Sem aspas, despidos de qualquer sentido
Literalmente indizíveis,
Mergulharemos entre linhas
Costurando cada palavra que disserem em nosso nome
Com as mais lindas cores
Não importa o que e quem se diga, haverá de ser
O meu amor
vendredi, novembre 04, 2011
Sobre irrigadores de jardim
Não sei se tudo seria mais simples se eu fosse um irrigador de jardim
(daqueles mais enflorescidos que chega brilham...)
Talvez fosse o mesmo se-dar-sem-se-ter de algumas vezes
Meu silêncio é de água
Rio de infinitas buscas e é mesmo engraçado, quando se senta à margem
Não sei se é pra fora ou pra dentro que as palavras colocam o que não consigo dizer
Sinto falta de minha pouca linearidade.
De minha falta de tantos receios e resignações sobre o que não entendo
Aos que não me sabem, meu silêncio de água
As paredes mais espessas são as que não existem
As que não cercam, mas apenas se deixam penetrar
Mais ou menos sufocantes, mais ou menos demolidas
Meu Bom Jesus Eletromagnético, por que tantas partículas elementares?
E o que se há de dizer quando se completar o alfabeto?
vendredi, septembre 16, 2011
qualquer título que respire
Ainda gosto de deixar meus olhos abertos no escuro, mas agora talvez não saiba mais como traduzi-lo. Não. ... Antes eu já via certa inomogeneidade no escuro; não digo pelo que a fresta da janela deixa passar, mas pela granulosidade mesma do escuro, se me permite. A minha postura era mais a de quem lamenta não ver e comemora qualquer intensão de luz. Assim falava em consciência quântica sem nunca ter cortado um h. Meu silêncio agora é mais denso. Embora o escuro, concentro-me na fresta até adormecer. Não sei até que ponto isso é metafórico.
Sempre senti na pele, no útero e nas palavras que a Natureza se faz de ciclos. Ouvir meu professor de Mecânica Analítica falar isso matematicamente foi tão encantador quanto doloroso. Foi como abrir aquela janela que tanto ofuscava e que mantenho fechada por segurança. Osciladores harmônicos, órbitas no espaço de fases, dos graus de liberdade do sistema, do que pode variar: respiração de tudo. Partículas, muitas partículas, juntas, quiçá Universo: tudo, de fato, respira. Ao menos podemos assim entender. Ele me olhou firme como se soubesse que eu estremecia.
As coisas estão ficando cada vez mais graves. Enquanto eu tinha só palavras, conseguia descrever a impossibilidade de. A busca pela coerência tem me tornado uma página em branco. Talvez colorida até. Com alguns desenhos, frases soltas à espera.
Não sei até que ponto isso é feminino.
Todo mês meu corpo se prepara para abrigar uma nova pessoa, que espero não chegar efetivamente tão cedo. Tenho as mesmas crises, com temas variados. Me acabo de cantar e chorar pelos cantos. Por vezes passo a abrigar eu mesma uma nova pessoa, mas ainda, sempre, à espera. Quando enfim tiver um filho, talvez espere para sempre que ele seja o que fui e/ou não fui - talvez então compreenda minha mãe.
Pareço ainda exigir de minhas palavras uma linearidade que a Natureza não tem. Será que levo jeito pra dança contemporânea? Gosto de dançar aleatória, procurando no espaço o tempo da música. Mas ainda me deixo paralisar. Enfins.
Na verdade, eu me levantei pra escrever sobre teoria de grupos... vejo que continuo a mesma. Preciso quebrar algumas simetrias =/. Enfim, vou dormir no quarto já claro. No escuro já contínuo do que suspeitava não saber descrever. Cada vez mais agudas também, as coisas. E intangíveis. Talvez sempre.
Mas sim, depois escrevo sobre o que achei ter entendido finalmente.
samedi, février 26, 2011
ê 1
Beleza assimétrica, das que mais profundamente me encantaram. Ela me envolvia quando eu alcançava o alto de sua cabeça, intocável, e assanhava os cabelos: confundia o tempo.
No que pairava, olhando cada detalhe do que nem via, as fendas que o sorriso lhe abria e um silêncio que nem sei. Mas que é feito de música.
Éramos dois desconhecidos, abraçados à serenidade do que não-se-sabe-mesmo, talvez. Cada qual a seu modo e caminho, contas e contas.
correndo e olhando o céu
Não há perigo de esfriamento ou entopimento de qualquer veia poética. Do contrário..
Decidi virar meu espelho pro céu: estudar estrelas de nêutrons!! estudar estrelas é uma forma de se aproximar da poesia, toda ela. No plural. 'Espelho do mar de mim'...
A correria tem me impedido de ser reticente. ... mas sigo o conselho de Cartola: ai, corra e olha o céu, que o sol vem trazendo bom-dia. Divino
Linda.. no que se apresenta, o triste se ausenta... a beleza verdadeira, como bem colocou Newton da Costa num discurso que fez na UFPB, é aquela que se transforma sempre e sempre nos encanta a cada mudança..
é bom ter uma fonte de dúvidas e cuidar bem dela. Dá força e rumo quando tudo parece querer parar e se perder.
O que a gente tem de estrela sabe esperar o tempo de explodir, né? Ciclos, sempre.
dimanche, novembre 07, 2010
De mãos dadas
Não te quero pra mim, mas comigo.
Meu caminho entre as coisas
É o que as coisas percorrem dentro de mim
Nosso caminho é o que construímos, de mãos dadas.
Mas se agora não sabemos mais nossas mãos o que tocam,
E não imaginamos mais nossos caminhos desatados...
não sei.
O que são minhas mãos nas tuas?
lundi, septembre 27, 2010
samedi, juillet 10, 2010
Luto
dimanche, mai 16, 2010
construição
Que fiquem fora os que não souberem entrar
Mas a porta, deixarei encostada.
Sou um dentro que nunca se soube
No que também fora não poderia
Mas sinto em volta qualquer envoltura
E dentro há o mesmo receio flexível
De uma porta encostada
Que já cansei de escancarar, vendo entrar apenas vento frio
Que chegue quem me souber o caminho
Quem sentir qualquer cheiro do que quer que seja
Mas que seja
Caso venha, a ser
E que não bata à porta
Deixe quem sabe um bilhete por debaixo
Ou cante qualquer luz perto da janela...
É de mim que me protejo.
Não posso mais dar meus céus a qualquer asa
Nem mesmo a quaisquer de minhas nuvens
Deixo que voem e pairem,
Mas sinto agora qualquer telhado.
vendredi, avril 16, 2010
Transnítido
O que distante havia de mais distinto
Era a cor pura que não distingüia forma
Sem arestas...
Tudo em volta se desmancha
Quando a luz me alcança míope
Apenas aquela distância era nítida
Suspensa...
Como as reticências que pairam
No que acentua a ambigüidade
Uma nuvem sobreformou-se
Fronteirando o que disforme havia,
Sobretudo.
lundi, avril 12, 2010
É fácil ver
samedi, avril 10, 2010
Esverdeado
vendredi, mars 26, 2010
mardi, mars 23, 2010
Asas de cigarra
vendredi, mars 12, 2010
É preciso?
Sabe quando a gente sente a necessidade de se mostrar seguro de si frente às crianças, quando elas nos perguntam algum por quê? Não me excluo disso, várias vezes me peguei respondendo coisas absurdas ao meu irmão mais novo, desde que ele começou a falar... e até mesmo agora, que ele tem oito anos. Pode-se agir de forma infantil de dois jeitos ao menos: de forma sincera, por de fato ser criança e ter uma curiosidade que pode soar como descabida, ou de forma tola. Sim, há a analogia de que cientistas são eternas crianças, que sempre perguntam (à natureza, não a si mesmos) o porquê de tudo, mesmo quando o senso comum patenteia uma certa obviedade. Aliás, geralmente patenteia-se obviedade sobre o que é tão simples que não dá pra explicar. Claro, muitas vezes essa simplicidade esconde uma complexidade tal que não pode ser entendida. Ora, mas as crianças não entenderiam se fôssemos lhes explicar a verdade... em parte porque só sabemos explicar as verdades entendidas numa linguagem que elas ainda não aprenderam. O interessante também é ver como elas criam realidades as mais surreais e vivem muito livres de contradição ali dentro. Quer dizer que, faz de conta... Talvez a gente deixe de ser criança quando aprende direitinho o faz de conta coletivo. Fazemos toda uma natureza de contas. Mas que essa crítica não seja pesada. Ou melhor, pesada de qualquer forma, em qualquer campo gravitacional. Não estou questionando nem de longe que as coisas existem unicamente da forma como existem. A crítica cai em cima do que somos da forma que somos. O problema (ou a graça) não está no que é natural, mas na forma como entendemos (e somos) esse natural. As certezas formam-se involuntariamente, é preciso reconhecer ordem, é inevitável reconhecer o que se tornou familiar. Mas é ainda conveniente que se reconheça a possibilidade de novas ordens. Porque sempre fica o que não se entende, mesmo quando se explica. Às vezes a gente parece olhar pro espelho e responder àquela criança que ficou que é tudo muito simples, não havendo motivo pra alarde. É uma crise infantil, vai passar assim que a gravata estiver dada ao nó.
Bom, isso escrevi depois de ler esse trecho em especial:
“Portanto, é bom procurar o sentido e os fatos que ficam por detrás das palavras. Ao voltar às definições, o matemático procura assenhorear-se das reais relações de elementos matemáticos que estão por detrás dos termos técnicos, assim como o físico procura confirmações experimentais para seus termos técnicos e o homem comum, com algum bom senso, procura chegar aos fatos reais e não ser iludido por meras palavras.” (trecho de A Arte de Resolver Problemas, Polya)
Sim, reconheço a intenção do que está sendo dito, linguagem cria alguns labirintos espelhados mesmo. Não vou exagerar e ver nisso a afirmação de que a verdade a ser alcançada é única, singular. Mas as entrelinhas disso dizem que a qualidade lingüística da matemática é puramente heurística. Creio que verdade seja sempre o que se busca e que matemática seja essencialmente uma linguagem, com seus signos, símbolos convencionados, intérpretes... criadores. Linguagem artificial, claro. Objetiva, pelo que lhe objetivam. “Navegar é preciso; viver, não”.

