mardi, mai 29, 2012

Para ler com certa pausa


... vê? os olhos e ouvidos são pra fora. os órgãos vitais, dentro (o coração entre parênteses). E o que percebe? neuroraízes fincadas num solo por entre se vive. Olha como meu peito bate forte.. .
e o que podemos reproduzir é o mesmo. algo assim com dentro e fora encaixa
perfeitamente os espíritos que vêm pra vagar procurando encaixar as coisas em si.
mulheres de dentro esperando algo novo todo mês ou homens de fora.. bom, meu homem de fora especificamente espera pagar as contas todo mês, o amor da pessoa amada toda semana e a paz nos dai hoje.
Sim, talvez nosso corpo uma metáfora. E nossas formas encerrem o egoísmo que tateamos. E quando a gente se liberte, Luz disforme e geodésica. A Luz não tem livre-arbítrio mas talvez seja a própria liberdade.
[lembro o indicador suspenso de meu avô: dois ouvidos e uma boca. dois ou três olhos, bem observado também. e pela boca sai silêncio e contradição e perturbações microscópicas na poeira de em volta. Devo ter saído cantarolando se não naquele momento, agora. ('eu só vou falar na hora de falar, então eu escuto', mas nunca cantei isso com olhos tão fechados como agora. Minto. Nunca cantei isso com um sorriso tão justo)]
Não importa, corpos andam o mais geralmente em círculos num planeta esférico. Que orbita o que anda comóvel pra um nada isotrópico num universo cuja geometria supomos. E só.
"Todas as formas são metáforas". Diga-se lentamente, pra que o plural não se
misture à essência. (quanto numa mesma palavra, quantas num mesmo sentido..)

mardi, mars 06, 2012

Reflexões (ou neuroses) sobre o Espelho

- E se o espelho morresse?
- Espelho não morre
A vida que ele tem não é a que a gente reflete
A luz permanece suspensa
perdida, entretudo
Mas a gente, morre por espelhar o que tem ciclo.
-

***

O Espelho é aquilo que a gente não vê!

(por que a imagem no espelho plano é simétrica?)

Percebe? A luz volta da forma, no ângulo, que foi..
Quando um objeto consegue mudar o ângulo com que a luz lhe bate, a gente consegue ver.
Quando não, ele apenas nos reflete.. e a gente não o vê!
Mas a visão que a gente tem daquilo é a visão do espelho, a forma como ele nos vê..
e os nossos olhos.......... concavidade comida pelo convexo.
- Isso é simétrico.
A simetria se quebra quando a gente não se vê, vendo apenas o objeto.

samedi, février 25, 2012

ciranda de maluco

só existe hoje-ontem-amanhã e agora não sei onde.
acho que queria aqui mais ontem
mas hoje me tem e a manhã vem daqui a pouco
fechei quase todos os olhos e fiquei tonta.
os movimentos mudando de cor, caindo.
as coisas pintarolando tudo.
daqui a pouco eu talvez me deixe.
agora:


[Escurinho começou a cantar]

En passant

Quando a consciência desperta, deus pode ser a corda bamba de cada passo.
sempre firme a cada queda e conduzindo os olhos que se entreabrem pra onde tenha luz.
Pra mim, deus talvez inda seja meio fio, entre sins e nãos que buscam equilíbrio.

a vida disperta segue vislumbrante...

Quando a consciência se vir no espelho, deus certamente será o solo de até onde a vista não se firme.
e então, plena, a consciência se vê corda bamba, meio fio, solo e abisma.
caindo em si, se vê espelho e espaço.
vazia, enche tudo.

paira.

deusa, se vê luz.

mardi, novembre 22, 2011

Não-holonômico

O meu amor,
Há de vir entre vírgulas, sutil, e literalmente colorido
Com as mais lindas palavras
Há de me falar sobre estrelas e ramalhetes delas
De olhos fechados
Há de vir entre nuvens e aos soluços
De peito aberto e pelo avesso
Não vai saber aonde ir ou de onde vir
Mas saberá ficar em silêncio
Há de amar a todos os meus já amores
Com a pureza de um Sol
A cada um trará um suspiro
E todos eles virarão rios, cada qual a seu leito
Eu hei de me banhar em todos num mesmo ato
E a todos virar um marvsem fim
A cada fronteira viraremos margens, plantas, pedras
A cada deserto viraremos areias e ventos
Preencheremos tudo, a cada vazio
Nossa luz há de respirar a tudo, um dia
Comerá o dia e trará a noite dentro dos olhos, nossa luz
E o próprio tempo virá conosco
Ver quem corre mais rápido até o muro
Nos perder uns dos outros
Não saberemos mais o quanto somos
Ficaremos quietos, indistingüíveis
De olhos abertos,
ou mesmo sem olhos nítidos
Nossas estrelas, daremos ao acaso
Ramalhetes deles seremos
Sem aspas, despidos de qualquer sentido
Literalmente indizíveis,
Mergulharemos entre linhas
Costurando cada palavra que disserem em nosso nome
Com as mais lindas cores
Não importa o que e quem se diga, haverá de ser
O meu amor

vendredi, novembre 04, 2011

"Decidi virar meu espelho pro céu: estudar estrelas de nêutrons!! estudar estrelas é uma forma de se aproximar da poesia, toda ela. No plural. 'Espelho do mar de mim'..."

Relendo isso, percebi que perdi meu espelho: vou estudar a Termodinâmica do Universo Primitivo!
=/

Sobre irrigadores de jardim



Não sei se tudo seria mais simples se eu fosse um irrigador de jardim

(daqueles mais enflorescidos que chega brilham...)
Talvez fosse o mesmo se-dar-sem-se-ter de algumas vezes
Meu silêncio é de água
Rio de infinitas buscas e é mesmo engraçado, quando se senta à margem

Não sei se é pra fora ou pra dentro que as palavras colocam o que não consigo dizer
Sinto falta de minha pouca linearidade.
De minha falta de tantos receios e resignações sobre o que não entendo

Aos que não me sabem, meu silêncio de água

As paredes mais espessas são as que não existem
As que não cercam, mas apenas se deixam penetrar
Mais ou menos sufocantes, mais ou menos demolidas

Meu Bom Jesus Eletromagnético, por que tantas partículas elementares?
E o que se há de dizer quando se completar o alfabeto?


vendredi, septembre 16, 2011

qualquer título que respire

Ainda gosto de deixar meus olhos abertos no escuro, mas agora talvez não saiba mais como traduzi-lo. Não. ... Antes eu já via certa inomogeneidade no escuro; não digo pelo que a fresta da janela deixa passar, mas pela granulosidade mesma do escuro, se me permite. A minha postura era mais a de quem lamenta não ver e comemora qualquer intensão de luz. Assim falava em consciência quântica sem nunca ter cortado um h. Meu silêncio agora é mais denso. Embora o escuro, concentro-me na fresta até adormecer. Não sei até que ponto isso é metafórico.

Sempre senti na pele, no útero e nas palavras que a Natureza se faz de ciclos. Ouvir meu professor de Mecânica Analítica falar isso matematicamente foi tão encantador quanto doloroso. Foi como abrir aquela janela que tanto ofuscava e que mantenho fechada por segurança. Osciladores harmônicos, órbitas no espaço de fases, dos graus de liberdade do sistema, do que pode variar: respiração de tudo. Partículas, muitas partículas, juntas, quiçá Universo: tudo, de fato, respira. Ao menos podemos assim entender. Ele me olhou firme como se soubesse que eu estremecia.

As coisas estão ficando cada vez mais graves. Enquanto eu tinha só palavras, conseguia descrever a impossibilidade de. A busca pela coerência tem me tornado uma página em branco. Talvez colorida até. Com alguns desenhos, frases soltas à espera.

Não sei até que ponto isso é feminino.

Todo mês meu corpo se prepara para abrigar uma nova pessoa, que espero não chegar efetivamente tão cedo. Tenho as mesmas crises, com temas variados. Me acabo de cantar e chorar pelos cantos. Por vezes passo a abrigar eu mesma uma nova pessoa, mas ainda, sempre, à espera. Quando enfim tiver um filho, talvez espere para sempre que ele seja o que fui e/ou não fui - talvez então compreenda minha mãe.

Pareço ainda exigir de minhas palavras uma linearidade que a Natureza não tem. Será que levo jeito pra dança contemporânea? Gosto de dançar aleatória, procurando no espaço o tempo da música. Mas ainda me deixo paralisar. Enfins.

Na verdade, eu me levantei pra escrever sobre teoria de grupos... vejo que continuo a mesma. Preciso quebrar algumas simetrias =/. Enfim, vou dormir no quarto já claro. No escuro já contínuo do que suspeitava não saber descrever. Cada vez mais agudas também, as coisas. E intangíveis. Talvez sempre.

Mas sim, depois escrevo sobre o que achei ter entendido finalmente.

samedi, février 26, 2011

ê 1

Caíque é bonito desgrenhado.
Beleza assimétrica, das que mais profundamente me encantaram. Ela me envolvia quando eu alcançava o alto de sua cabeça, intocável, e assanhava os cabelos: confundia o tempo.
No que pairava, olhando cada detalhe do que nem via, as fendas que o sorriso lhe abria e um silêncio que nem sei. Mas que é feito de música.
Éramos dois desconhecidos, abraçados à serenidade do que não-se-sabe-mesmo, talvez. Cada qual a seu modo e caminho, contas e contas.

correndo e olhando o céu

Nunca mais poemas.. palavras soltas amontoam-se tranqüilas nos rodapés e paredes de vários lugares. Mas é bom. Não formarem contexto... talvez sinal de que eu esteja deixando as coisas fluirem antes de tentar entender. Mas bla.
Não há perigo de esfriamento ou entopimento de qualquer veia poética. Do contrário..

Decidi virar meu espelho pro céu: estudar estrelas de nêutrons!! estudar estrelas é uma forma de se aproximar da poesia, toda ela. No plural. 'Espelho do mar de mim'...
A correria tem me impedido de ser reticente. ... mas sigo o conselho de Cartola: ai, corra e olha o céu, que o sol vem trazendo bom-dia. Divino

Linda.. no que se apresenta, o triste se ausenta... a beleza verdadeira, como bem colocou Newton da Costa num discurso que fez na UFPB, é aquela que se transforma sempre e sempre nos encanta a cada mudança..
é bom ter uma fonte de dúvidas e cuidar bem dela. Dá força e rumo quando tudo parece querer parar e se perder.

O que a gente tem de estrela sabe esperar o tempo de explodir, né? Ciclos, sempre.

dimanche, novembre 07, 2010

De mãos dadas

Não espero mais que tuas mãos sejam nas minhas
o que são minhas mãos nas tuas
Duas mãos, quando unidas,
não tocam além do que podem sentir
Mas que o tempo percorra nossas mãos dadas
como traços de um mesmo e irreversível rabisco

Não pretendo em teus olhos meus olhares
O que cada olho respira tem o ritmo de quem vê
Quero meus olhares nos teus olhos
do jeito que eles me puderem respirar

Não te quero pra mim, mas comigo.
De mãos dadas, não atadas,
Que assim sejamos

Meu caminho entre as coisas
É o que as coisas percorrem dentro de mim
Nosso caminho é o que construímos, de mãos dadas.

Mas se agora não sabemos mais nossas mãos o que tocam,
E não imaginamos mais nossos caminhos desatados...
não sei.
O que são minhas mãos nas tuas?


lundi, septembre 27, 2010


"No physical system is, or ever can be, truly isolated"
(Callen, em Thermodynamics and an introduction to Thermostatistics)


Callen e suas frases de efeito, altamente sugestivas e estendíveis-a-contextos-outros.

Estava quieta, no meu canto, fazendo minhas caladas contas. Até que se esboça uma pergunta e tudo o mais vai pro inferno (meu bem). A culpa foi do Callen, eu nem estou podendo viajar, mas foi inevitável.

A questão era se a gente podia entender a entropia como sendo uma quantidade associada a cada partícular (oscilador quântico, no modelo do sólido de Einstein). Na termodinâmica, a entropia surge como uma incógnita necessária e notável. Mas uma incógnita, sem qualquer interpretação física comparável à energia, volume ou número de partículas, por exemplo (quantidades globais do sistema, assim como a entropia).
Blaaaaaaaa, não dá pra explicar o cada-passo do caminho, mas veja-se: considerando as várias formas microscópicas de um sistema se apresentar de uma forma macroscópica, eis que surge, como quem não quer nada, a entropia! Uma quantidade que carrega dentro de si todas as possibilidades microscópicas de ter uma mesma aparência macroscópica!!!!

Quantizar a natureza, considerando unidades de matéria e energia, permite enxergar que o que é singular e impenetrável macroscopicamente é na verdade um plural inconstante, mas não arbitrário, de singulares.
Isso não é apenas bonito, é calculável! :
"[as forças de interação (gravitacional, eletromagnética, fraca e forte)] que existem não apenas unem espacialmente sistemas materiais separados, mas os próprios campos de interação [produzidos por essas interações!] constituem sistemas físicos em interação direta com os sistemas de interesse. O vácuo completo é agora entendido como uma complexa entidade flutuante em que ocorre contínuos processos de criação e reabsorção de elétrons, pósitrons, neutrinos e uma miríade de outras entidades subatômicas exóticas" (tradução livre, trecho da p. 330, Callen)

É nesse sentido que todos os sistemas físicos estão interligados..



E é muito difícil não se sentir propriamente uma entidade exoticamente flutuante, sujeita a todas as interações possíveis e sujeito de todas as interações mais amplamente possíveis.
O problema é que são construções que se podem afirmar dentro do escopo físico apenas, a partir do que se diz matéria, tempo, espaço. E do que se calcula.

Mas sim, essas coisas são muito fortes e desconcertantes .. faz com que a gente pense em cada interação possível entre as próprias palavras.
Labirintos de espelho................................................


Eu nem ia escrever isso tudo. Queria apenas registrar aqui uma dorzinha fina que veio quando li a tal frase de Callen.
Mesmo que tudo seja assim tão interligado, a gente parece estar numa escala tal que as separações são inevitáveis. Daí nossa insensibilidade, daí nossa sensibilidade. Em vários vários sentidos.. Nem que seja pra medir, pensar, escrever, sentir, ... as distâncias são criadas no tempo e no espaço. E na matéria. Seja lá o que essas coisas sejam de fato (e o que um fato seja).

Se um dia a abstração for tanta tanta e tão mais aguda, a gente vai poder concluir que a solidão é uma entidade macroscópica. E astronômica.. Tão ilusório quanto inevitável.




Talvez o mais complicado pra um cientista seja distinguir o que se sabe do que nem se suspeita.
Que a gente só pode partir necessariamente do que sente, é fato cada vez mais amplo e rigoroso.. Mas nem sei.. .

samedi, juillet 10, 2010

Luto


Há uma espécie de luto por detrás de tudo o que vive

E o escuro que envolve a luz torna o que se vê tão frágil... Mas quem vive sente o visível tão único e especial, tão intenso.

Quando fotografei essa flor de cactus, a imagem me pareceu retratar a paixão. Qualquer que seja.
Na verdade, a história que envolve essa flor merece um texto à parte, que apenas comecei a escrever.
Ela explode na esquina daqui de casa vezenquando. Dizem que anuncia a chuva..


Explodem e logo desaparecem. Não sei se morrem ou simplesmente respiram.


Perdi um grande professor de física essa semana, hoje fazem sete dias. Mário Assad...
Não sei se pelo fato de ele me ter incentivado a olhar a natureza tal-como-ela-é, como poucos professores de física o fazem, mas a dor de não compreender o que é Natural brilhou muito aguda.
Não sei se ele morreu ou foi a natureza que deu outro suspiro.. se algo permanece. Nem se a energia se conserva, como a gente aprende a calcular (erguendo universos a partir disso).
Ao que tentem consolar, dizendo que a morte é natural, sinto ser por esse motivo ela tão dolorosa.


E a vida tem algo de paixão também.. a gente sente uma certa posse.. .
O sujeito que se define, artigo. Que se isola, define as próprias fronteiras.
Por todos os lados, a natureza mostra que isso é ideal, que não há sistemas de fato isolados, que tudo se interliga, quanto mais fundo se olha o espelho ___________

mas não sei se se pode fugir das delimitações
Ao menos na nossa escala, do nosso ponto de vista, na ponta dos dedos.. as distâncias surgem. Tudo parece sólido, impenetrável. Podendo cair e quebrar, estridente.
E o medo de restar, ficar só, de todos aqueles que a gente ama irem embora pra não-se-sabe-onde.
Cíclico.


Talvez o mais simbólico nessa foto seja a ausência do que sustenta esse ramo de Vida. De onde se vê, é tudo o que se vê. Algo que paira no espaço e no tempo.
Explosão suspensa: grito de luz refletindo silêncio.


Bem provável que eu nunca termine de escrever sobre a flor, vida, paixão.. nem mesmo entenda em que se sustentam.
Outra coisa: tudo fica um pouco sem sentido e inexplicável também. É preciso respirar fundo pra continuar vivendo, apaixonando, estudando, sentindo.

Resta guardar o que se pode perceber na lembrança, dentro. E continuar respirando tudo o que contrasta aos sentidos.
Sentir.. o que nos liga e separa. Definitivamente.
Até quando/onde não se puder mais

.



dimanche, mai 16, 2010

construição



Que fiquem fora os que não souberem entrar
Minhas janelas continuarão abertas
Mas a porta, deixarei encostada.


Sou um dentro que nunca se soube
No que também fora não poderia
Mas sinto em volta qualquer envoltura
E dentro há o mesmo receio flexível
De uma porta encostada
Que já cansei de escancarar, vendo entrar apenas vento frio


Que chegue quem me souber o caminho
Quem sentir qualquer cheiro do que quer que seja
Mas que seja
Caso venha, a ser
E que não bata à porta
Deixe quem sabe um bilhete por debaixo
Ou cante qualquer luz perto da janela...
É de mim que me protejo.


Não posso mais dar meus céus a qualquer asa
Nem mesmo a quaisquer de minhas nuvens
Deixo que voem e pairem,
Mas sinto agora qualquer telhado.



vendredi, avril 16, 2010

Transnítido


O que distante havia de mais distinto

Era a cor pura que não distingüia forma
Sem arestas...
Tudo em volta se desmancha
Quando a luz me alcança míope
Apenas aquela distância era nítida
Suspensa...
Como as reticências que pairam
No que acentua a ambigüidade
Uma nuvem sobreformou-se
Fronteirando o que disforme havia,
Sobretudo.


lundi, avril 12, 2010

É fácil ver



O conforto e paz de espírito foram tantos que preciso registrar aqui, neste lugar até calmo por hora mas que está repleto de mágoas e turbulências e... cantos de cigarra, por mais serenos e naturais que o queiram ser.
Pois bien!! A edição em espanhol do Thermodynamics (and etc), de Herbert B. Callen está me inspirando bastante..... a vantagem de se ler em espanhol é que há algo de trôpego na leitura, algo que baila caliente, que rrrrico! Algo de bêbado também, muy borracho.

Mas esse trecho em especial serve para apaziguar mesmo quem não se interesse por Termodinâmica, mas pela vida como um todo. E em si, logicamente.

Perceba-se:

"Incluso una consideración sumaria de los diversos estados de un sistema dado
pone en evidencia que algunos estados son relativamente simples y otros son relativamente
complicados. [verdade... =/]. Así, un fluido en reposo se encuentra evidentemente en
un estado más simple que en flujo laminar. Y un fluido en flujo laminar se halla,
a su vez, en un estado más simple que en régimen turbulento. Además, se observa
experimentalmente que los sistemas aislados tienden en general a evolucionar
espontáneamente hacia estados finales simples.
[!!!! merece até destaque:]
"La turbulencia en los sistemas
fluidos se amortigua con el tiempo; la falta de homogeneidad en la concentración
desaparece finalmente debido a las corrientes de difusión; y las deformaciones
plásticas ceden ante tensiones internas no homogéneas."


Está claro?
Sejamos naturais....... as turbulências se amortecem com o tempo. Ah, meus amigos, e aquelas faltas de homogeneidade na concentração mental, emocional, seja lá qual for: desaparecem finalmente devido às correntes de difusão!
Pois bem, sigamos as nossas correntes de difusão, busquemos o equilíbrio.
Somos natureza, irmãos termodinâmicos ou não.
Todos somos.
Muita luz, siempre: é fácil ver!



Paz.

samedi, avril 10, 2010

Esverdeado


Dou minhas asas a quem tem céu
No sorriso, nos olhos, nos movimentos
E não apenas nos braços sempre abertos e azuis
Quando se voa dentro do azul
E o que se vê é transparente
A impressão que se tem é a de que as cores
Têm uma dimensão a mais
E uma a menos
Mas como não resulta a mesma sentida
A vontade que dá é mesmo a de fechar os olhos
E deixar qualquer cor
Olhar nossas nuvens e vazios e desabamentos
Com asas transparentes

Mas toda luz branca tem voz de prisma

vendredi, mars 26, 2010

Pausa dramática



- E se eu não misturasse tanto tudo num só nada?
- Humpf, disse o espelho.






mardi, mars 23, 2010

Asas de cigarra



I

E se eu pisasse apenas no chão?
Quem sabe não saberia por onde ir...
E se dissesse apenas o pronunciado
Cantaria de forma plena?
Antes desistisse de escrever
A solidão não teria possibilidade de ser lida
E a ausência seria apenas ausência, ponto.
Aceitaria pensar de uma única forma
Teria tudo uma única semântica, fora.
Esperaria que tudo lhe visse no singular
Cada lágrima seria palpável e estaria toda
Dentro do que se pudesse enxugar
Há cigarras no som das palavras, no espaço (dentro).



II

Os tempos verbais oscilam
Entre o que tem claridade e o que sabe ser escuro
E dançam na chuva mesmo que ela não lhe caia
O tempo do que se escreve nem precisa
Ser o mesmo do que aquele em que se lê
- Espaço Lingüístico de métricas e rimas indefiníveis
Que já define o em torno
Dois pontos: infinito e plural.

Seja como-for, linguagem é sempre espelho.
Antes não refletisse tanto a vontade do que é simétrico
O leitor dual, o Outro, a correspondência...
Silêncio guardando a espera e o esperado, nulo.

Guardo sempre um silêncio esperando quem o consiga achar
O que sempre não digo precisando que me adivinhem
Máximos detalhes: insuspeitados
Vontade de assumir o impermeável da redondeza.

O medo do inverno que ameaça:
E se eu desistisse de escrever?



III

Não sei viver de forma explícita, delimitada
Quero seguir explodindo e calando
Aqui, no eterno presente das Palavras em plenoutono:
Outono é tempo de cigarras

Gosto de andar de forma reticente...
Uma pausa em cada ponto, em cada passo (aberto)


vendredi, mars 12, 2010

É preciso?


Sabe quando a gente sente a necessidade de se mostrar seguro de si frente às crianças, quando elas nos perguntam algum por quê? Não me excluo disso, várias vezes me peguei respondendo coisas absurdas ao meu irmão mais novo, desde que ele começou a falar... e até mesmo agora, que ele tem oito anos. Pode-se agir de forma infantil de dois jeitos ao menos: de forma sincera, por de fato ser criança e ter uma curiosidade que pode soar como descabida, ou de forma tola. Sim, há a analogia de que cientistas são eternas crianças, que sempre perguntam (à natureza, não a si mesmos) o porquê de tudo, mesmo quando o senso comum patenteia uma certa obviedade. Aliás, geralmente patenteia-se obviedade sobre o que é tão simples que não dá pra explicar. Claro, muitas vezes essa simplicidade esconde uma complexidade tal que não pode ser entendida. Ora, mas as crianças não entenderiam se fôssemos lhes explicar a verdade... em parte porque só sabemos explicar as verdades entendidas numa linguagem que elas ainda não aprenderam. O interessante também é ver como elas criam realidades as mais surreais e vivem muito livres de contradição ali dentro. Quer dizer que, faz de conta... Talvez a gente deixe de ser criança quando aprende direitinho o faz de conta coletivo. Fazemos toda uma natureza de contas. Mas que essa crítica não seja pesada. Ou melhor, pesada de qualquer forma, em qualquer campo gravitacional. Não estou questionando nem de longe que as coisas existem unicamente da forma como existem. A crítica cai em cima do que somos da forma que somos. O problema (ou a graça) não está no que é natural, mas na forma como entendemos (e somos) esse natural. As certezas formam-se involuntariamente, é preciso reconhecer ordem, é inevitável reconhecer o que se tornou familiar. Mas é ainda conveniente que se reconheça a possibilidade de novas ordens. Porque sempre fica o que não se entende, mesmo quando se explica. Às vezes a gente parece olhar pro espelho e responder àquela criança que ficou que é tudo muito simples, não havendo motivo pra alarde. É uma crise infantil, vai passar assim que a gravata estiver dada ao nó.


Bom, isso escrevi depois de ler esse trecho em especial:

“Portanto, é bom procurar o sentido e os fatos que ficam por detrás das palavras. Ao voltar às definições, o matemático procura assenhorear-se das reais relações de elementos matemáticos que estão por detrás dos termos técnicos, assim como o físico procura confirmações experimentais para seus termos técnicos e o homem comum, com algum bom senso, procura chegar aos fatos reais e não ser iludido por meras palavras.” (trecho de A Arte de Resolver Problemas, Polya)


Sim, reconheço a intenção do que está sendo dito, linguagem cria alguns labirintos espelhados mesmo. Não vou exagerar e ver nisso a afirmação de que a verdade a ser alcançada é única, singular. Mas as entrelinhas disso dizem que a qualidade lingüística da matemática é puramente heurística. Creio que verdade seja sempre o que se busca e que matemática seja essencialmente uma linguagem, com seus signos, símbolos convencionados, intérpretes... criadores. Linguagem artificial, claro. Objetiva, pelo que lhe objetivam. “Navegar é preciso; viver, não”.