samedi, janvier 26, 2008

Trans-lucidez

Mas se a Terra já no céu, por que não nós?

Com a tranqüilidade de um ser celestial,
Observo a luz que ultrapassa a atmosfera
- esta redoma vulnerável
Que nos envolve a Percepção,
Que nos poupa das luzes não-assimiláveis
Que nos permite o som
Que nos protege do vácuo
Preenchendo-nos com um egocentrismo azul

- Isolamo-nos do Cosmos
Com Nuvens fugidias e ilusórias
Julgamos ilustrar o paraíso
Que há em cada átomo
Em cada fóton, em cada hádron
Em cada vibração de Shiva
Em iminências e explosões de Tchaikóvsky
Mas as Nuvens são só o vapor
Das águas que roçam à Terceira Margem do Rio

Esquecemo-nos da unicidade quasesférica da Terra
Pomo-nos fronteiras
Embrutecemos o Anarquismo
A hipocrisia inercial são lentes opacas
Com a qual muitos vêem o Tudo permitível
Honremos o despudor dos olhos nus!

samedi, novembre 03, 2007

Tô Sangrando

Entenda-se minha recusa a assistir com freqüência aos telejornais: http://www.rederecord.com.br/programas/domingoespetacular/conteudo_ver.asp?c=268


Foi o que a criança, segundo a mãe, falou: Tô Sangrando.


.








Eu queria dizer tudo Eu queria explicar as lágrimas em vez de só chorar. Eu queria que os neurônios soubessem, cada um, dizer cada uma das. "Tô sangrando"! Uma criança! Eu queria fazer alguma coisa que não quase asfixiar os pensamentos confusos e sem fusos e abruptos. Eu queria que as palavras -- todas elas -- se levantassem e impedissem e impedissem as mortes que se repetem. "Tô sangrando"! Uma criança! Escrever, escrever... pra quê? "Absolutamente perfeito, genial!" Pra quê? Pra chorar pelo que acontece ou pelo que não pára de acontecer? Aquela vontade de se esconder, João! Dada, imposta, outorgada a impossibilidade de aparecer.
Fechar-se
Parar de respirar Lutar contra o próprio bulbo contra si contrair-se
Contra o que não é sua culpa, por você já ter nascido aqui
em meio no meio sub.
"Tô sangrando"! Uma criança! Ela se escondia para sobreviver sub-viver


em meio no meio sub.
"Tô sangrando"! Uma criança! O último grito daquela criança...
E eu aqui escrevendo, pra quê? Que grandes contribuições não fluirão de minha pena? Quando uma bala fluiu e acertou essa criança?... fluiu de que mão? Do policial ou do traficante? "sinceridade" Havia sinceridade nos olhos do policial que tentou salvar o garoto, a mãe disse.
Havia sinceridade na bala, havia sinceridade no sangue do bandido no chão...
"Tô sangrando"! E o meu sangue? Circula em minhas veias indiferentes -- o sangue e as veias.
E o cérebro? Talvez. Por que me excluir? Não seria esse o âmago do problema?
Não estaríamos todos, sinceramente, nos livrando das culpas? Por termos todos (crianças, loucos, bandidos, policiais, poetas, cientistas, religiosos, jornalistas, escritores.. ad ad ad) nascido em meio do que já tinha meio? Olhemo-nos no espelho! Enlouquecemo-nos?
Meu Mestre se sente pequeno, o Meu mestre! Logo ele, todo ele...
"cuidado, meu amigo, não vá se estrepar. Não queira dar um passo maior que as pernas podem dar..." O olhar-se no Espelho anula a noção do tridimensional... teria Ele se olhado muito? Sim - o que disse. E o que vira? A si - o que pior. Ah, meu amor, meus amores... ...
A gente tem que saber a hora certa de fugir! FUGIR! daS realidadeS.
A realidade que sangra nos jornais... a realidade que dissolve o paupável, a realidade do espelho.
Espelha-se Reflete-se Reflita-se
A Grande Fuga! - String Quartet nº 13 in B-flat major. Ludwig Van! Meu mestre ama Voltaire!
Saiba fugir das realidades, meu amor. Saibam, meus amores!
Que eu saiba
Eu queria tanto que Marco estivesse aqui, papel.
A criança morreu.

mercredi, octobre 10, 2007

Adimensionável

Seria o temor da loucura
O que me força a hastear a bandeira da Imaginação
A meio pau?
Pois se o olhar-se no espelho anula a Noção
Do tridimensional,
Que pode a redoma das percepções afirmar
Sobre o fora-de-si?
O ver-ouvir-sentir: não mais que inter-ação.
{[( Ter-se por unidade -- eu => possa ser incoerente)]}
Estivessem os globos oculares para dentro...
* total * absorção *
Fujo
Procuro o eixo do que se convencionou por Normal
Encontro -- achamos...
-- Já vai dormir?
Fugir de um não-sei-o-quê para outro: Durmo.

vendredi, août 17, 2007

rabisco de Vácuo

Aiai... o meu Vácuo está me dando um certo trabalho. Escrevi há meses, mas, revendo algumas resoluções de Analítica, revi também meu poema abandonado. Algo me despertou a vontade de escrevê-lo. Escrevi. Acabei pondo coisas que, cá entre nós, deveria ficar de fora. Ficou algo muito confuso. Não sendo, pois, próprio de um....Vácuo. Mas talvez seja justamente isso. Tem coisa mais densa que o vazio? Ora....quanta bobagem. Poderia ser diferente? ¬¬


Enfim. Fato é que, quando eu digitalizo, ou reescrevo em qualquer canto de papel, mudo muita coisa. Mas dessa vez, algo (não) houve para que eu não concluisse. Ah, um dia sai.


No mais, deixe eu cantar, que é pro mundo ficar Odara, pra ficar tudo jóia-rara! Ai, Caetano é........lindo. No sentido mais amplo do termo.




Ah sim, antes que esqueça, o manuscrito:

lundi, juillet 23, 2007

Discurso sobre Metodologia Científica

Claro, não é algo que você leia e diga "Oh, que coisa concisa!" Um pequeno discurso que eu fiz em ocasião de uma feira de Ciências medíocre (aquela....). Pois é. Os exemplos de que falei foram experiências fracassadas (em parte) apresentadas por meus colegas com explicações decoradas, rsrs. Normal.
Mas foi bom, na medida do impossível. Nada que a gente olhe e diga "Oh, que desastre!". O que é bem pior.
========================== a quê?


Todos esses exemplos observados servem para ilustrar o modo como a Ciência funciona: com base em experimentos. Nada pode ser tido como cientificamente verdadeiro sem passar pelo filtro do Método Científico. Este é muito rigoroso, uma vez que o objetivo é sempre obter a máxima precisão nas observações. O método científico é, por assim dizer, o mecanismo de auto-correção, de auto-regulação da Ciência. Temos como destaque nesse método o par de complementares experimentação-teorização. A relação harmônica dessas duas faces impulsiona todo o processo (progresso) científico. Podemos dizer que a teoria domina o trabalho experimental, posto que este é feito de forma controlada, baseado em geral pelos conhecimentos/conceitos prévios do observador. Mas ainda assim, podemos dizer que a experimentação guia a teorização, já que o Método Científico permite que teorias sejam falseadas ou corroboradas pelas experimentações, ou seja, uma vez percebida incompatibilidade com alguma teoria ou com algum postulado, novos experimentos serão feitos para se verificar onde reside o erro. Caso a teoria esteja errada, mesmo sendo esta proposta por cientistas de grande autoridade, ela será ligeiramente - ou não - descartada, quando menos, descredibilizada. De acordo com os novos experimentos, novas teorias são formuladas. Da mesma forma, uma teoria é confirmada sempre que novos experimentos comprovem suas previsões. Estando os experimentos e as mudanças de conceitos presentes no âmago da Ciência, é correto afirmar que esta está em constante adaptação às evidências. É principalmente por essa Razão que algumas pessoas podem achar a Ciência como algo instável, incerto, por assim dizer,.....mas, a propósito, não seria essa instabilidade necessária, em vista da limitação que nos é própria?

samedi, juillet 07, 2007

vendredi, juin 22, 2007

Auto-retrato fracassado

Olho pro espelho que não me vê
Ele vê a boca que fala e cala
Mas não os olhos que não vêem


Tiro os óculos, abaixo um pouco a cabeça
A imagem embaçada me dá um sorriso
O sorriso que não me olha
Os olhos que não me sorriem

As figuras correm do papel
Aquele rosto quer viver livremente
Entre a lâmina de vidro e a película de prata
Quer chorar e sorrir
Ilustrar e cair
Somente aos olhos daqueles instantes que correm

Pobre da imagem que se colar ao papel
Ganhar um título, talvez
E se submeter nos espelhos
Dos que refletem sua angústia.

jeudi, juin 21, 2007

Carnaval da Bahia

O som e a porta fechada de um lado
O ventilador e a janela fechada do outro
A festa lá fora estremecia o chão
Em que a menina estava estirada
- Conversava com Sartre

Posição Relativa entre Circunferências

Por que eu quase calculei o delta
Mesmo sabendo que as circunferências eram internas?
Elas não têm ponto em comum
E eu já sabia disso!
Tanto trabalho pra depois ver que
Não era preciso um deslocamento...

***

A nobre e boa senhora me disse que eu vivo
Tentando achar sexo em anjo...
Ora, paredes, vocês ainda não entenderam a ligação covalente?
O ponto em comum que'u procuro não existe
As circunferências são internas
Chamem anjo, chamem demônio, chamem nomes
Eu chamo Consciência
Mesmo estando ciente da incongruência
Mas há quem chame Inconsciência
Sei não...e ainda me chamam de radical!

vendredi, juin 08, 2007

Sobre a Mediocridade, nada mais


Um professor genial, mas.....a indiferença que há na minha classe, me faz tremer só de pensar que eu posso vir a enfrentar a sala de aula.....



- E qual é o oposto disso? O Neoliberalismo!
- Mas se a gente comprar uns três quilos de carne, vai sobrar!
- Claro! Então vamos à Segunda Guerra Mundial: quais os condicionantes, os significados históricos?
- Posso ir ao banheiro?
- Olha só. A Segunda Guerra DESMASCARA a nossa civilização ocidental! Cartesiano, Mecanicista... É a "Era dos extremos"...toda uma tecnocracia estava a serviço de um radicalismo político, econômico...
- Eu sei! Mas eles ganharam na semana passada, não vai pra segunda divisão.

- Exato. Perceberam, crianças? nós vivemos num mundo fortemente dual!
- Tua mãe faz a fava, né? Aí tu leva...por que não?
- Porque, de religião, o inferno está cheio! Não é isso, falo de algo mais profundo...Ética!
- Mas tem de frango também...
- Uma das palavras mais utilizadas por Hitler é "ódio" e "vingança", porque a grande sacada dele foi a envolver a Nação, aguçar o Nacionalismo Alemão! Envolver todos nesse sentimento, perceberam? (risos) Minha gente, a massa, a multidão...é Irracional, não pensa!
- "Fastaí", professor.
- Finalmente, o Imperialismo Japonês. Na outra aula, concluímos.
- Eu vou, boy, mas lá em casa não pega não, tem que ser um DVD original.
- [fechando a porta] Até mais, crianças.