Quais são os genes que eu posso abraçar dizendo: vocês são meus,
Não vinheram às metades de ninguém,
Não chorem, mamãe tá aqui,
Vocês não constituirão outro ser-estar..
São meus, só meus, estão em meus limites,
São os meus limites, minhas tendências a infinitos, meus integrandos,
Quais...?
Estes com os quais escrevo.
Meu corpo em Palavras!
dimanche, mars 08, 2009
samedi, février 14, 2009
vendredi, janvier 16, 2009
Inadjetivo
Ah, impermeável verdade,
Deixe-me ao menos me esconder à sua sombra
Que um eco não deixa de nos dizer algo.
Ah, mal-dita verdade,
Cale-se em mim fiel e pura
Que nem todos têm ouvidos compatíveis
Ah, inaldita verdade,
Não te desvirtuará os que te negam
Que não mudarás sem que queiras
Desmentida, desmedida, mas permanecida
Ah, incognoscível verdade,
Não te percas nos labirintos de teus poros
Que a serenidade nos entende
Ah, aguda verdade,
Por que não perfuraste, íntegra,
Apenas a percepção que te suportava?
Ah, indizível verdade,
Não mais se aventure fora de meu silêncio
Ah, intragável verdade,
Me ensina a mentir;
Guarda-me de meu cansaço
Até poderes descansar guardada em mim...
Deixe-me ao menos me esconder à sua sombra
Que um eco não deixa de nos dizer algo.
Ah, mal-dita verdade,
Cale-se em mim fiel e pura
Que nem todos têm ouvidos compatíveis
Ah, inaldita verdade,
Não te desvirtuará os que te negam
Que não mudarás sem que queiras
Desmentida, desmedida, mas permanecida
Ah, incognoscível verdade,
Não te percas nos labirintos de teus poros
Que a serenidade nos entende
Ah, aguda verdade,
Por que não perfuraste, íntegra,
Apenas a percepção que te suportava?
Ah, indizível verdade,
Não mais se aventure fora de meu silêncio
Ah, intragável verdade,
Me ensina a mentir;
Guarda-me de meu cansaço
Até poderes descansar guardada em mim...
samedi, décembre 06, 2008
vendredi, novembre 28, 2008
E o coração pulsava
Como se ex-pulsasse o sangue,
Querendo ficar sozinho em si.
Mas o sangue insistia em viver-lhe
Às cavidades, violento, revolto.
Abrira-se demasiado
Mas começou a pesar, não podia.
Nem podia poder, de qualquer forma.
Queria ficar só, apenas.
E a penas que nem sabia se valiam.
O medo de dar-se às euforias, o cérebro se lhe metia.
A insegurança, as contrações involuntárias,
As reações a favor do silêncio.
De novo.
"Mas você não conseguiu se abrir, estava quase conseguindo"
Chegou perto.
E os olhos esquivos, com medo de desabar-se naqueles olhares plenos
Planos, não os podia fazer.
Tudo a seu tempo.
E espaço.
Tudo em seus limites.
E nada de integrais, não agora.
Deixa sarar o que nem sei doer.
Como se ex-pulsasse o sangue,
Querendo ficar sozinho em si.
Mas o sangue insistia em viver-lhe
Às cavidades, violento, revolto.
Abrira-se demasiado
Mas começou a pesar, não podia.
Nem podia poder, de qualquer forma.
Queria ficar só, apenas.
E a penas que nem sabia se valiam.
O medo de dar-se às euforias, o cérebro se lhe metia.
A insegurança, as contrações involuntárias,
As reações a favor do silêncio.
De novo.
"Mas você não conseguiu se abrir, estava quase conseguindo"
Chegou perto.
E os olhos esquivos, com medo de desabar-se naqueles olhares plenos
Planos, não os podia fazer.
Tudo a seu tempo.
E espaço.
Tudo em seus limites.
E nada de integrais, não agora.
Deixa sarar o que nem sei doer.
mardi, novembre 25, 2008
Não sei, mas precisava ficar sozinha.
Acho que o silêncio pesa menos
Quando se não fala só.
E do que falaria?
De uma vida apenas imaginada,
mas não vivida?
Não, pesa muito.
Não sei dizer..
E até o silêncio que se sente bem,
Por ser de cumplicidade,
pesado torna-se nalguns extremos de cansaço.
Meus verbos estão estancados, como meu sangue.
Como se minha boca uma grande e cicatrizada ferida aberta.
Acho que o silêncio pesa menos
Quando se não fala só.
E do que falaria?
De uma vida apenas imaginada,
mas não vivida?
Não, pesa muito.
Não sei dizer..
E até o silêncio que se sente bem,
Por ser de cumplicidade,
pesado torna-se nalguns extremos de cansaço.
Meus verbos estão estancados, como meu sangue.
Como se minha boca uma grande e cicatrizada ferida aberta.
mardi, novembre 11, 2008
Assim como que
Para Anni.
A intenção é escrever que assim como qualquer coisa que esteja cheia de algo - qualquer que seja o algo, qualquer que seja a coisa -, mas cheia de quasestourar-se, transborda; assim como que para equilibrar não só a si, mas o próprio equilíbrio, mas o Tudo. Não sei, talvez uma tendência mesma que a Natureza tem de respirar. Sim! Assim como se Respira. Para equilibrar os fluidos, as pressões. Assim como a pupila se dilata, respirando Luz; como quando as ligações intra-extra-intermoleculares se rompem e preenchem-se o vazio. Assim como as coisas são sem o saber: escrevo esse agora que não se sabe.
Como que para colocar para fora do verbalizável o que nem sei como, nem por quê: assim como que pra descobrir. Para ver que forma tem, que dimensões, como que para entender, percebe? Assim como se conversasse com o papel, como se estivesse o papel (sic). Como se fosse brotar em alguma frase, como se rompesse algo (ligações intra-extra-interlinguísticas). Como que para deduzir o que estava querendo (se) romper: o delimitado. Como que, ao tentar descongestionar o nariz, fungasse e engolisse, você me entende, o que impedia a respiração. Mas aí aquilo continuaria Dentro, porque eu acabei de engolir e agora não sei bem onde está: na garganta, tentando falar?; nalgum canto da caixa toráxica? Um Canto ritmado com o pulsar obstinado de um coração que não tem nada a ver com isso; na tinta que quase pinga da caneta? (o pior é que é verdade.. é daquelas "porosas", sabe? Minhas mãos estão manchadas e eu tento escrever bem leve, quase que evitando tocar-me o papel). Sim, talvez esteja mesmo é nas palavras o que engoli para tentar respirar melhor, mas ainda assim elas ainda estão dentro e eu não sei onde, e nem sei o que quero cuspir no papel. Mas não sei se essa necessidade deve-se à Tendência Ao Equilíbrio ou mesmo à minha vontade de formular, de dimensionar, de verbalizar. Talvez isso seja um capricho, percebe? E pior. Talvez seja um capricho inútil, além de dispendioso.
Como uma necessidade tola de ter as coisas sob controle! Mas é como se se sentisse (saúde) asfixiada por estar percebendo que as coisas não estão sob controle - muito menos sob o seu; não o seu, o meu - e que isso é de tal forma por ser Natural. Como se fosse propriamente natural, Inclusive. Mas... aprendera a viver assim pra dentro, como se controlada pela razão, percebe? Assim imaginando todas as situações: no mais-que-perfeito. Criando personagens, sendo protagonista, interpretando espetacularmente todos os papéis, sendo o próprio palco, a própria platéia, a própria crítica. E mudando de cena (vida), invertendo os papéis, as canetas-agulha trans-bordantes. Isso pra saber cada palavra, cada nuance, cada sentimento, cada outra-pessoa. Assim para ser também a própria outra-pessoa.
Mas isso tudo num silêncio que começou a engasgar. E a lhe dizer que isso é um erro, uma coisa tola, que o certo (é louco tomar eletro-choque, o certo é saber que o certo é certo. Não se mete, Caetano) é viver pra fora, no Presente. Mas você viu? Logo Agora me aparece olhando daquela forma, como se Soubesse! É por isso também... é medo do desconhecido, é não ter certeza de que aquilo foi aquilo. Mas isso é outra coisa. Não, não é outra coisa, mas acho que você não entenderia agora, Nando. Mas a questão é essa: estou tentando o equilíbrio, o pra fora. Isso porque estou dentro também, entende? Não digo dentro de mim, feito catarro, mas dentro da Natureza. Da natureza que inclusive estou penando pra tentar entender como formularam. Injusto dizer assim... é necessário dimensionar, equacionar, descrever. Não para tentar explicar (escrever), mas para tentar entender (respirar). Pressinto uma morte por asfixia (incognosciva). Como se não conseguisse equilibrar-se harmonicamente com o fluido no qual imerso. Como se encontrasse dificuldade ainda com a equação de Bernoulli! Imagina quando levar em conta [literalmente(literalmente)] a viscosidade?! Dissipar-me-ei de vez? Humpf. E quando considerar a turbulência?! Tenho medo. Preciso aprender a respirar.
Aos poucos. Brotando. Fluindo. Vivendo. Pra dentro: do fora.
(Futura quem sabe por que não parte integrante ....!..integral imprópria, no caso.... de um futuro quem sabe por que não livro, onde Nando seria o personagem, mas enfim.)
A intenção é escrever que assim como qualquer coisa que esteja cheia de algo - qualquer que seja o algo, qualquer que seja a coisa -, mas cheia de quasestourar-se, transborda; assim como que para equilibrar não só a si, mas o próprio equilíbrio, mas o Tudo. Não sei, talvez uma tendência mesma que a Natureza tem de respirar. Sim! Assim como se Respira. Para equilibrar os fluidos, as pressões. Assim como a pupila se dilata, respirando Luz; como quando as ligações intra-extra-intermoleculares se rompem e preenchem-se o vazio. Assim como as coisas são sem o saber: escrevo esse agora que não se sabe.
Como que para colocar para fora do verbalizável o que nem sei como, nem por quê: assim como que pra descobrir. Para ver que forma tem, que dimensões, como que para entender, percebe? Assim como se conversasse com o papel, como se estivesse o papel (sic). Como se fosse brotar em alguma frase, como se rompesse algo (ligações intra-extra-interlinguísticas). Como que para deduzir o que estava querendo (se) romper: o delimitado. Como que, ao tentar descongestionar o nariz, fungasse e engolisse, você me entende, o que impedia a respiração. Mas aí aquilo continuaria Dentro, porque eu acabei de engolir e agora não sei bem onde está: na garganta, tentando falar?; nalgum canto da caixa toráxica? Um Canto ritmado com o pulsar obstinado de um coração que não tem nada a ver com isso; na tinta que quase pinga da caneta? (o pior é que é verdade.. é daquelas "porosas", sabe? Minhas mãos estão manchadas e eu tento escrever bem leve, quase que evitando tocar-me o papel). Sim, talvez esteja mesmo é nas palavras o que engoli para tentar respirar melhor, mas ainda assim elas ainda estão dentro e eu não sei onde, e nem sei o que quero cuspir no papel. Mas não sei se essa necessidade deve-se à Tendência Ao Equilíbrio ou mesmo à minha vontade de formular, de dimensionar, de verbalizar. Talvez isso seja um capricho, percebe? E pior. Talvez seja um capricho inútil, além de dispendioso.
Como uma necessidade tola de ter as coisas sob controle! Mas é como se se sentisse (saúde) asfixiada por estar percebendo que as coisas não estão sob controle - muito menos sob o seu; não o seu, o meu - e que isso é de tal forma por ser Natural. Como se fosse propriamente natural, Inclusive. Mas... aprendera a viver assim pra dentro, como se controlada pela razão, percebe? Assim imaginando todas as situações: no mais-que-perfeito. Criando personagens, sendo protagonista, interpretando espetacularmente todos os papéis, sendo o próprio palco, a própria platéia, a própria crítica. E mudando de cena (vida), invertendo os papéis, as canetas-agulha trans-bordantes. Isso pra saber cada palavra, cada nuance, cada sentimento, cada outra-pessoa. Assim para ser também a própria outra-pessoa.
Mas isso tudo num silêncio que começou a engasgar. E a lhe dizer que isso é um erro, uma coisa tola, que o certo (é louco tomar eletro-choque, o certo é saber que o certo é certo. Não se mete, Caetano) é viver pra fora, no Presente. Mas você viu? Logo Agora me aparece olhando daquela forma, como se Soubesse! É por isso também... é medo do desconhecido, é não ter certeza de que aquilo foi aquilo. Mas isso é outra coisa. Não, não é outra coisa, mas acho que você não entenderia agora, Nando. Mas a questão é essa: estou tentando o equilíbrio, o pra fora. Isso porque estou dentro também, entende? Não digo dentro de mim, feito catarro, mas dentro da Natureza. Da natureza que inclusive estou penando pra tentar entender como formularam. Injusto dizer assim... é necessário dimensionar, equacionar, descrever. Não para tentar explicar (escrever), mas para tentar entender (respirar). Pressinto uma morte por asfixia (incognosciva). Como se não conseguisse equilibrar-se harmonicamente com o fluido no qual imerso. Como se encontrasse dificuldade ainda com a equação de Bernoulli! Imagina quando levar em conta [literalmente(literalmente)] a viscosidade?! Dissipar-me-ei de vez? Humpf. E quando considerar a turbulência?! Tenho medo. Preciso aprender a respirar.
Aos poucos. Brotando. Fluindo. Vivendo. Pra dentro: do fora.
(Futura quem sabe por que não parte integrante ....!..integral imprópria, no caso.... de um futuro quem sabe por que não livro, onde Nando seria o personagem, mas enfim.)
jeudi, octobre 09, 2008
O dito pelo não visto
A tristeza do olho aberto no escuro
Olha para um ponto fixo qualquer
Mas não existem pontos fixos
Que não dentro do grandiúnico
Ponto fixo que era aquele momento
Momento escrito pelo escuro
Que não vê o papel
Não há necessariamente
A necessidade do abajur preciso
O escuro é a luz com a qual
Enxerga-se o Nada
Assim como o silêncio
.
...
!
Fiz-me o consolo fatal
Dizendo que não tinha culpa
Que fui cuspida nesse contexto
E obrigada a obedecer às regras do jogo
Mesmo não as sabendo e ainda assim
Com as quais(?) não concordando
Que por isso e que por aquilo
Faz-se o sentido.
Agora devo estar pronta para ler Sartre..
e isso não é bom
Diria isso a alguém
Se alguém aqui estivesse
E esse alguém não entenderia
E eu me levantaria dizendo
Vou beber água
Porque seres humanos bebem água
E porque eles não existiriam se a não bebessem
E se não a fossem. Também.
E também porque tenho vontade
- Com licença.
Olha para um ponto fixo qualquer
Mas não existem pontos fixos
Que não dentro do grandiúnico
Ponto fixo que era aquele momento
Momento escrito pelo escuro
Que não vê o papel
Não há necessariamente
A necessidade do abajur preciso
O escuro é a luz com a qual
Enxerga-se o Nada
Assim como o silêncio
.
...
!
Fiz-me o consolo fatal
Dizendo que não tinha culpa
Que fui cuspida nesse contexto
E obrigada a obedecer às regras do jogo
Mesmo não as sabendo e ainda assim
Com as quais(?) não concordando
Que por isso e que por aquilo
Faz-se o sentido.
Agora devo estar pronta para ler Sartre..
e isso não é bom
Diria isso a alguém
Se alguém aqui estivesse
E esse alguém não entenderia
E eu me levantaria dizendo
Vou beber água
Porque seres humanos bebem água
E porque eles não existiriam se a não bebessem
E se não a fossem. Também.
E também porque tenho vontade
- Com licença.
mardi, septembre 09, 2008
Cálculo 1
Eu poderia dizer que é como se me perdesse em mim,
Tão pequena que ficasse
Diminuindo progressivamente até um infinito basta
Mas poderia assim estar mentindo
Posto que me sentia grande, Expansiva
Englobando todo o quarto, sendo o quarto todo
- Que não se via, mas que sabia que ali estava
Por poder ser visto
De tais formas divergíveis
Que poderia dizer bem o que mais se me chegava:
Não estava em meus limites
Toda a epiderme não servia para moldar o quadro que eu me pintava
Nem as mãos que tocavam não acabavam na solidez percebida.
Tão pequena que ficasse
Diminuindo progressivamente até um infinito basta
Mas poderia assim estar mentindo
Posto que me sentia grande, Expansiva
Englobando todo o quarto, sendo o quarto todo
- Que não se via, mas que sabia que ali estava
Por poder ser visto
De tais formas divergíveis
Que poderia dizer bem o que mais se me chegava:
Não estava em meus limites
Toda a epiderme não servia para moldar o quadro que eu me pintava
Nem as mãos que tocavam não acabavam na solidez percebida.
samedi, août 02, 2008
J'ai perdu le ver de terre de vue
Para Letícia Palmeira
Fiquei de escrever algo nas horas vagas...
Percebo, agora, que este agora é vago.
Então vou escrever algo de fugidia densidade
Nesta vaga hora.
Hora que não triste, não alegre, não confusa, não aliviada, não cansada, não esperançosa..
Tantas negações para simplesmente afirmar
Sim, era tudo isso ao mesmo tempo
Mas não acordemos a contra-dição
Estou numa ausência tão grande de sentimento
Que chego a sentir a presença desta tarde
Não chovo, não faço frio, não vento tanto, só o agradável.
Não irradio nada de especial - que não o ar de maluca por estar sentada no chão do CCEN.
Estou à tarde.
Acabo de fazer prova de Cálculo
Ah, Linguagem, você e seus números...
Consiga descrever a fila de formigas que carregam suas flores
Não sei se dez vezes seus pesos
Consiga, porque eu quero dizer
Com que silêncio eu olho pro céu desta minha tarde
E me sinto uma formiga carregando uma flor em potencial
Não, não chego a segurar uma flor agora - que não a caneta
Antes fosse pena, a metáfora seria mais bonita.
Mas os tempos são outros. Mas o tempo!
?!
!! Pois que fui escrever uma interrogação
Per-seguida por uma exclamação na areia e...
Descobri uma minhoca contorcendo vida!
Depois disso, palavra não há que se queira contorcer no papel.
_______________
O título está em francês porque... tinha que ser em francês. "Perdi a minhoca de vista", seria. Mas os franceses são mais sugestivos... na tradução, cheguei a "Perdi o verme de terra de vista". Verme de Terra, eis a verdadeira tradução.
E CCEN significa Centro de Ciências Exatas e da Natureza.
Fiquei de escrever algo nas horas vagas...
Percebo, agora, que este agora é vago.
Então vou escrever algo de fugidia densidade
Nesta vaga hora.
Hora que não triste, não alegre, não confusa, não aliviada, não cansada, não esperançosa..
Tantas negações para simplesmente afirmar
Sim, era tudo isso ao mesmo tempo
Mas não acordemos a contra-dição
Estou numa ausência tão grande de sentimento
Que chego a sentir a presença desta tarde
Não chovo, não faço frio, não vento tanto, só o agradável.
Não irradio nada de especial - que não o ar de maluca por estar sentada no chão do CCEN.
Estou à tarde.
Acabo de fazer prova de Cálculo
Ah, Linguagem, você e seus números...
Consiga descrever a fila de formigas que carregam suas flores
Não sei se dez vezes seus pesos
Consiga, porque eu quero dizer
Com que silêncio eu olho pro céu desta minha tarde
E me sinto uma formiga carregando uma flor em potencial
Não, não chego a segurar uma flor agora - que não a caneta
Antes fosse pena, a metáfora seria mais bonita.
Mas os tempos são outros. Mas o tempo!
?!
!! Pois que fui escrever uma interrogação
Per-seguida por uma exclamação na areia e...
Descobri uma minhoca contorcendo vida!
Depois disso, palavra não há que se queira contorcer no papel.
_______________
O título está em francês porque... tinha que ser em francês. "Perdi a minhoca de vista", seria. Mas os franceses são mais sugestivos... na tradução, cheguei a "Perdi o verme de terra de vista". Verme de Terra, eis a verdadeira tradução.
E CCEN significa Centro de Ciências Exatas e da Natureza.
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