Acompanha-me uma sensação terrível de desconstrução. Os princípios que me guiam estão frouxos, dissolvidos num fluxo de palavras que não se sabe. Para facilitar minha mania às vezes doentia de pôr tudo num só contexto sempre, o Cosmos tratou de me colocar para estudar Lógica. Eis que a situação se agrava e, sim, agora posso dizer: acompanha-me uma sensação terrível de desconstrução.
Espero ao menos construir Algo quando puder sair.
Pois bem, preciso colocar flores aqui, onde o Vazio impera.
Colherei uns trechos das folhas introdutórias do livro Lógica Simbólica, de Leônidas Hegenberg.
samedi, août 29, 2009
vendredi, juin 19, 2009
Sobre o Vazio
Eu poderia dizê-lo com as mais inacabáveis linhas ou, caso o tentasse sem palavras, talvez usasse alguns sinais de pontuação que guiassem o fluxo de silêncio. Mas não, não é possível. É tudo. É tudo o que existe. Inclusive o que a gente pensa que existe, o que a gente queria que existisse, o ideal. Inclusive o que pode existir, o que deixou de: e o que existirá.
samedi, mai 23, 2009
Luna
Quem dera poder expressar a expressão
Não sei se do quase sorriso,
Como se não se precisasse abrir explícito
E o vermelho pintando a vivacidade dos lábios fechados;
Talvez do envergar de sobrancelhas
Como se paralisasse a intenção de acrescentar
O que acabara de perceber;
Não sei se da cabeça assim sustentada
Pelo equilíbrio nas mãos, braços, pescoço e colo
- Já que sentada assim no Sempre
Na imobilidade de possíveis balanços
Onde quer que esteja o plural.
Ah.. possível também fosse expressar
O silêncio do que é simplesmente gesso
Ao tempo em que se expressasse
A simplicidade daqueles pés descalços
Como se não pisasse o Tempo,
Nem lhe precisando correr
E se lhe corresse, o vestido esvoaçaria
Na flexibilidade quase despudorada
Do tecido que seria tecido
Rasgado apenas nas partes por onde,
por que não dizer, passaram as asas
Agora quebradas... sim, talvez fosse fada
Que não precisa mais voá-las para o fora
Ah, esvoaçariam também os cabelos
Tantos quanto fossem os ventos
Mas não.. talvez aquele suspiro eternamente suspenso
Não o fosse por cansaço, mas por serenidade plena
A plenitude dos olhos
Que mesmo encarados de frente parecem distantes
Não por indiferença, mas por estarem-se dentro de si;
Olhando sempre o para-fora.
Com a ciência de que esse fora não existe
Além do que se percebe
Sim, não há porque tentar, querer, nem poder sair-se
Poderia assim expressar
A tristeza do mais pleno sorriso que aqueles olhos paravam.
Não sei se do quase sorriso,
Como se não se precisasse abrir explícito
E o vermelho pintando a vivacidade dos lábios fechados;
Talvez do envergar de sobrancelhas
Como se paralisasse a intenção de acrescentar
O que acabara de perceber;
Não sei se da cabeça assim sustentada
Pelo equilíbrio nas mãos, braços, pescoço e colo
- Já que sentada assim no Sempre
Na imobilidade de possíveis balanços
Onde quer que esteja o plural.
Ah.. possível também fosse expressar
O silêncio do que é simplesmente gesso
Ao tempo em que se expressasse
A simplicidade daqueles pés descalços
Como se não pisasse o Tempo,
Nem lhe precisando correr
E se lhe corresse, o vestido esvoaçaria
Na flexibilidade quase despudorada
Do tecido que seria tecido
Rasgado apenas nas partes por onde,
por que não dizer, passaram as asas
Agora quebradas... sim, talvez fosse fada
Que não precisa mais voá-las para o fora
Ah, esvoaçariam também os cabelos
Tantos quanto fossem os ventos
Mas não.. talvez aquele suspiro eternamente suspenso
Não o fosse por cansaço, mas por serenidade plena
A plenitude dos olhos
Que mesmo encarados de frente parecem distantes
Não por indiferença, mas por estarem-se dentro de si;
Olhando sempre o para-fora.
Com a ciência de que esse fora não existe
Além do que se percebe
Sim, não há porque tentar, querer, nem poder sair-se
Poderia assim expressar
A tristeza do mais pleno sorriso que aqueles olhos paravam.
dimanche, avril 12, 2009
Ah... o Silêncio. Certo mesmo é que não de todo silencioso. Uma eloqüência no dentro: indizível. Frases, textos, tudo no não-dito. Não mais do que normal. Mas isso tudo existe! Eu posso sentir, posso fazer, bastando que se pense. Nada existe se não tiver existência, não é lógico? Mas o que seria "pensamento"? Há de ser físico, já que Natural. E isso não é devaneio. Pois bem, se não físico, o que tocam os já existentes impulsos nervosos? A partir de onde perdem a existência? Bla.
Queria ser médium, queria ser esquizofrênica, queria perceber outras formas de Realidade. Mas estou sozinha nesse escuro pauperrimamente manchado com a luz do celular que a faz ler essas palavras inúteis à escuridão. Se bem que... inutilidade por inutilidade. Esse não é nem de longe o verbo. Sim, estou só nesse escuro. Não há espíritos que eu possa perceber, embora quisesse. Cresci vendo quem os percebesse, quem os desse expressão em nossas queridas freqüências auditivas. Não duvido da existência deles. Queria mesmo que meu tio Heitor me tocasse o ombro e me sorrisse. Ilumino meu ombro: intocável.
Não... não me creiam louca. Minha doença mental é exatamente a sanidade! Minha loucura é exatamente a de perceber apenas o que se chama per-cep-tí-vel, o que queima o desconhecido. Percebo o Real de uma realidade palpável, riscável, calculável. Mas a própria percepção é tida por impalpável, indimensionável, como é isso? Há de ser calculável a realidade toda, porque se for assim como se acredita, se nem-tudo-for-calculável, entendível, "visível", tradutível.... então não há continuidade! E se não há continuidade, como se há de Integrar a realidade enquanto função de infinitas variáveis?
Não, isso não está certo. Se eu pretendo mesmo contribuir de forma relevante para a construção dessa perspectiva, devo começar me dedicando bem mais a Cálculo II. Eis umoutra escala onde me debato na realidade. Droga.
Queria ser médium, queria ser esquizofrênica, queria perceber outras formas de Realidade. Mas estou sozinha nesse escuro pauperrimamente manchado com a luz do celular que a faz ler essas palavras inúteis à escuridão. Se bem que... inutilidade por inutilidade. Esse não é nem de longe o verbo. Sim, estou só nesse escuro. Não há espíritos que eu possa perceber, embora quisesse. Cresci vendo quem os percebesse, quem os desse expressão em nossas queridas freqüências auditivas. Não duvido da existência deles. Queria mesmo que meu tio Heitor me tocasse o ombro e me sorrisse. Ilumino meu ombro: intocável.
Não... não me creiam louca. Minha doença mental é exatamente a sanidade! Minha loucura é exatamente a de perceber apenas o que se chama per-cep-tí-vel, o que queima o desconhecido. Percebo o Real de uma realidade palpável, riscável, calculável. Mas a própria percepção é tida por impalpável, indimensionável, como é isso? Há de ser calculável a realidade toda, porque se for assim como se acredita, se nem-tudo-for-calculável, entendível, "visível", tradutível.... então não há continuidade! E se não há continuidade, como se há de Integrar a realidade enquanto função de infinitas variáveis?
Não, isso não está certo. Se eu pretendo mesmo contribuir de forma relevante para a construção dessa perspectiva, devo começar me dedicando bem mais a Cálculo II. Eis umoutra escala onde me debato na realidade. Droga.
dimanche, mars 08, 2009
Meu Gene Egoísta
Quais são os genes que eu posso abraçar dizendo: vocês são meus,
Não vinheram às metades de ninguém,
Não chorem, mamãe tá aqui,
Vocês não constituirão outro ser-estar..
São meus, só meus, estão em meus limites,
São os meus limites, minhas tendências a infinitos, meus integrandos,
Quais...?
Estes com os quais escrevo.
Meu corpo em Palavras!
Não vinheram às metades de ninguém,
Não chorem, mamãe tá aqui,
Vocês não constituirão outro ser-estar..
São meus, só meus, estão em meus limites,
São os meus limites, minhas tendências a infinitos, meus integrandos,
Quais...?
Estes com os quais escrevo.
Meu corpo em Palavras!
samedi, février 14, 2009
vendredi, janvier 16, 2009
Inadjetivo
Ah, impermeável verdade,
Deixe-me ao menos me esconder à sua sombra
Que um eco não deixa de nos dizer algo.
Ah, mal-dita verdade,
Cale-se em mim fiel e pura
Que nem todos têm ouvidos compatíveis
Ah, inaldita verdade,
Não te desvirtuará os que te negam
Que não mudarás sem que queiras
Desmentida, desmedida, mas permanecida
Ah, incognoscível verdade,
Não te percas nos labirintos de teus poros
Que a serenidade nos entende
Ah, aguda verdade,
Por que não perfuraste, íntegra,
Apenas a percepção que te suportava?
Ah, indizível verdade,
Não mais se aventure fora de meu silêncio
Ah, intragável verdade,
Me ensina a mentir;
Guarda-me de meu cansaço
Até poderes descansar guardada em mim...
Deixe-me ao menos me esconder à sua sombra
Que um eco não deixa de nos dizer algo.
Ah, mal-dita verdade,
Cale-se em mim fiel e pura
Que nem todos têm ouvidos compatíveis
Ah, inaldita verdade,
Não te desvirtuará os que te negam
Que não mudarás sem que queiras
Desmentida, desmedida, mas permanecida
Ah, incognoscível verdade,
Não te percas nos labirintos de teus poros
Que a serenidade nos entende
Ah, aguda verdade,
Por que não perfuraste, íntegra,
Apenas a percepção que te suportava?
Ah, indizível verdade,
Não mais se aventure fora de meu silêncio
Ah, intragável verdade,
Me ensina a mentir;
Guarda-me de meu cansaço
Até poderes descansar guardada em mim...
samedi, décembre 06, 2008
vendredi, novembre 28, 2008
E o coração pulsava
Como se ex-pulsasse o sangue,
Querendo ficar sozinho em si.
Mas o sangue insistia em viver-lhe
Às cavidades, violento, revolto.
Abrira-se demasiado
Mas começou a pesar, não podia.
Nem podia poder, de qualquer forma.
Queria ficar só, apenas.
E a penas que nem sabia se valiam.
O medo de dar-se às euforias, o cérebro se lhe metia.
A insegurança, as contrações involuntárias,
As reações a favor do silêncio.
De novo.
"Mas você não conseguiu se abrir, estava quase conseguindo"
Chegou perto.
E os olhos esquivos, com medo de desabar-se naqueles olhares plenos
Planos, não os podia fazer.
Tudo a seu tempo.
E espaço.
Tudo em seus limites.
E nada de integrais, não agora.
Deixa sarar o que nem sei doer.
Como se ex-pulsasse o sangue,
Querendo ficar sozinho em si.
Mas o sangue insistia em viver-lhe
Às cavidades, violento, revolto.
Abrira-se demasiado
Mas começou a pesar, não podia.
Nem podia poder, de qualquer forma.
Queria ficar só, apenas.
E a penas que nem sabia se valiam.
O medo de dar-se às euforias, o cérebro se lhe metia.
A insegurança, as contrações involuntárias,
As reações a favor do silêncio.
De novo.
"Mas você não conseguiu se abrir, estava quase conseguindo"
Chegou perto.
E os olhos esquivos, com medo de desabar-se naqueles olhares plenos
Planos, não os podia fazer.
Tudo a seu tempo.
E espaço.
Tudo em seus limites.
E nada de integrais, não agora.
Deixa sarar o que nem sei doer.
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