samedi, mai 23, 2009

Luna

Quem dera poder expressar a expressão
Não sei se do quase sorriso,
Como se não se precisasse abrir explícito
E o vermelho pintando a vivacidade dos lábios fechados;
Talvez do envergar de sobrancelhas
Como se paralisasse a intenção de acrescentar
O que acabara de perceber;
Não sei se da cabeça assim sustentada
Pelo equilíbrio nas mãos, braços, pescoço e colo
- Já que sentada assim no Sempre
Na imobilidade de possíveis balanços
Onde quer que esteja o plural.

Ah.. possível também fosse expressar
O silêncio do que é simplesmente gesso
Ao tempo em que se expressasse
A simplicidade daqueles pés descalços
Como se não pisasse o Tempo,
Nem lhe precisando correr
E se lhe corresse, o vestido esvoaçaria
Na flexibilidade quase despudorada
Do tecido que seria tecido
Rasgado apenas nas partes por onde,
por que não dizer, passaram as asas
Agora quebradas... sim, talvez fosse fada
Que não precisa mais voá-las para o fora
Ah, esvoaçariam também os cabelos
Tantos quanto fossem os ventos

Mas não.. talvez aquele suspiro eternamente suspenso
Não o fosse por cansaço, mas por serenidade plena
A plenitude dos olhos
Que mesmo encarados de frente parecem distantes
Não por indiferença, mas por estarem-se dentro de si;
Olhando sempre o para-fora.
Com a ciência de que esse fora não existe
Além do que se percebe
Sim, não há porque tentar, querer, nem poder sair-se
Poderia assim expressar
A tristeza do mais pleno sorriso que aqueles olhos paravam.

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